Desde que conheci as Constelações Familiares e sua filosofia, senti que poderia contribuir para o despertar das pessoas gravando vídeos, escrevendo textos nesse blog e mensagens em minhas redes sociais.

Com o passar do tempo, notei que a filosofia é tão profunda e presente em minha vida que percebo ela em filmes, séries, músicas, noticiários… As leis da Ordem, Pertencimento e Equilíbrio, como leis, existem e estão em todo o lugar, quer você aceite ou não!

Separei alguns filmes que assisti, que ajudam a compreender a filosofia sistêmica de forma prática e simples. Aviso: contém pequenos spoilers, mas garanto que não vai comprometer sua experiência!

Duas Vidas – The Kid

Para mim, a pergunta central desse filme é: “Se você tivesse a chance de encontrar consigo quando tinha somente 8 anos de idade, será que aquela feliz criança sentiria orgulho do que você se tornou quando cresceu?”

Após refletir sobre essa pergunta, divirta-se nessa comédia que vai levar você a uma viagem no tempo. O filme conta a história de Russ, um executivo bem-sucedido que comprou muito do que o dinheiro poderia adquirir. Durante a trama, Russ encontra Rusty, ele mesmo aos 8 anos de idade, e o convívio dos dois é profundo e revelador. Russ tem a possibilidade de entender algumas questões que ocorreram em sua infância, dando sentido a seus comportamentos e sensações atuais.

É um filme para curar a criança ferida que te habita, compreender os medos de quem veio antes de nós (nossos pais, por exemplo) e trazer mais leveza para a vida.

O som do coração

Um filme que fala sobre SENTIR, algo que tenho aprendido muito nos últimos tempos. A intuição é um componente instalado de fábrica em nós seres humanos, mas como as setas dos carros, a intuição é pouco utilizada…rs.

Este filme conta a história de uma criança que vive em um orfanato, e que não havia conhecido seus pais, sua história e o que o levou até lá. De outro lado, em seu coração, era sempre presente a sensação de que poderia encontrá-los.

A trama gira em torno da música e do garoto em busca de encontrar seus pais. Nesse filme, podemos entender a função dos campos morfogenéticos de Robert Sheldrake de forma bastante lúdica, e entender também como estamos ligados à nosso sistema familiar, assumindo muitas vezes papeis que não nos pertencem, ferindo a lei da ordem.

O protagonista mostra de forma prática como funciona a lei do pertencimento, sentindo os dons que herdou de sua família.

Esse filme me ensinou algo muito valioso: NÃO JULGAR. Não sabemos o que levou nossos pais e antepassados a tomar determinadas decisões. Em nossa pequenez, muitas vezes com raiva da vida que temos, deixamos de aproveitar a vida que nos foi dada.

 October Baby 

Um filme que fala sobre adoção, abandono e a dor que todos esses elementos causam na alma humana.

Já na adolescência, uma jovem descobre que foi adotada, aos poucos busca compreender toda a história e, junto a seu melhor amigo, partem para uma jornada ao encontro de seus pais biológicos.

Ela passa por vários obstáculos físicos e, especialmente, emocionais, e passa a compreender seu lugar no mundo e aprender a perdoar sua trajetória.

No final do filme, descobri que a história é baseada em fatos reais, o que me deixou ainda mais emocionada.

Também ensina sobre o não julgamento e como podemos aceitar nossa história, ao invés de dar murros em ponta de faca. Um filme que, de fato, vai ajudar você a seguir para a vida.

Sete minutos depois da meia noite

Me arrepio ao lembrar dessa história! De forma muito lúdica, o filme explica o que é o amor cego e o amor que adoece, que Bert Hellinger fala em suas obras.

Conta a história de Conor, um garoto de 13 anos, filho de pais separados, que vive como invisível e excluído na escola, servindo de chacota para seus colegas. Seu pai é um tanto ausente, e Conor é muito apegado à mãe, que está gravemente doente.

Diante de tantos medos e uma situação familiar nada agradável, Conor acaba “acidentalmente” convocando um monstro em forma de árvore que aparece sempre sete minutos depois a meia noite.

Um filme que fala sobre soltar, ir para a vida. Mas também fala da dor e culpa que isso causa (o que eu seeeeempre falo para meus clientes nos atendimentos). Conor tem dificuldade de soltar e permitir que sua mãe viva o destino dela, para que ele também possa viver o dele. De forma inconsciente, quantas vezes fizemos isso por amor? Como Bert diz: “um amor que não está vendo a dor e necessidade do outro, um amor que sai do lugar e desequilibra.”

Ao final, a lição que puder ter desse filme é saber dizer a nossos pais e ancestrais, de coração: “Eu vejo você”. Essa frase representa o amor que vê, que vive e que respeite a ordem e equilíbrio da vida e das relações.

A Cabana

Li esse livro há muitos anos, antes de conhecer as Constelações de Bert Hellinger, e aprendi muito sobre minha relação com a vida e com Deus. Quando as Constelações entraram em minha vida, assisti a esse filme e entendi algo valiosíssimo: o poder de amar, ver e estar em meu lugar diante dos meus pais.

Depois de sofrer uma tragédia familiar, Mack entra em profunda depressão, que o faz questionar suas crenças e o sentido da vida. Ele recebe uma carta misteriosa que o faz retornar ao local onde ocorrera essa tragédia. Lá, ele tem a oportunidade de ver com os olhos da alma tudo que aconteceu com sua vida e as decisões que ele terá que tomar para seguir adiante.

É um filme espiritualista, traz nomes com Jesus, Papai (referindo-se a Deus) e Sarayu (referindo-se ao Espírito de Deus).

Aprendi a olhar para a vida com mais amorosidade, respeito a todos os seres e à minha trajetória. As histórias que eu, meus pais e antepassados viveram estão registradas em nosso inconsciente familiar, nada mais pode ser mudado. Aceitar tudo isso, respeitar o processo e ir para vida é a grande sacada.

O castelo de vidro

É um filme baseado em fatos reais. Se você é meu cliente vai encontrar em várias cenas a sensação de culpa, postura sistêmica e ir para vida que tanto falo em minhas sessões.

Trata-se da história de Jeannette Walls, uma jornalista que nasceu em um lar cercado de muita pobreza e hostilidade. Em volta de tudo, há um pai alcoólatra que bate na mãe e o sonho da construção de um lar.

Apesar de toda essa trajetória e até mesmo de momentos de muita fome e revolta, Jeannette se torna uma grande jornalista, com uma vida financeira estável e um noivo em igual patamar. Porém, sua origem se mostra em vários momentos e ela precisa encarar sua história ou viverá eternamente em uma mentira.

Para fechar esse filme, vou trazer aqui um trecho de ume entrevista que a própria Jeannette deu ao The New Yotk Times: “Muita gente me pergunta ‘Como você pode perdoar sua mãe pela maneira que você foi criada?”’. A resposta: “Na verdade, não é sobre perdão, na minha opinião. É aceitação. Ela nunca será o tipo de mãe que quer cuidar de mim.”

Agora tire suas conclusões!

Nasce uma estrela

Fui assistir a esse filme cheia de preconceito, nunca fui fã da Lady Gaga (que tem uma história sistêmica também, fica para outro post), mas encontrei no filme vários aspectos que explicam alguns pontos cruciais das Constelações.

O filme poderia ser resumido da seguinte forma: a jovem e talentosa Ally conhece um músico famoso chamado Jackson. Eles se apaixonam instantaneamente e ele é responsável por lançá-la ao estrelato, ao mesmo tempo em que vive uma crise pessoal e profissional devido a problemas com o álcool.

Podemos observar na relação de Ally e Jack a falta do equilíbrio do dar e receber, quando Jack dá muito mais que a própria Ally poderia receber, contudo essa relação encontra o equilíbrio quando Jack entra em crise e Ally dá à ele todo o suporte que pode.

Você vai identificar também a lei do pertencimento atuando com Jack. A morte precoce da mãe e o alcoolismo do pai de Jack representam fatos que são comumente excluídos em diversas famílias.

Um filme que me mostrou os vários lados de uma relação a dois, as histórias que cada um trás e como podemos contribuir para que as nossas relações possam se equilibrar, se reconhecendo e se aceitando tal como somos.

Palmeiras na neve

Trata-se de um romance espanhol, com muito conteúdo e até falas sistêmicas. A história começa no ano de 1953, quando os irmãos Jacobo e Kilian viajam até uma ilha africana para trabalhar. No local, Kilian se apaixona por uma nativa, um amor proibido na época.

Anos se passam e Clarence descobre acidentalmente uma carta esquecida por anos, que a faz viajar até a ilha onde seu pai, Jacobo, e seu tio moraram durante muito tempo. Ela descobre os segredos da família, turbulências passadas que atingem o presente.

Em diversos momentos, as falas da mulher nativa e Kilian me lembravam as Constelações. Algumas tribos africanas possuem um sistema de relacionamento muito semelhante a proposta, inclusive foi em uma tribo Zulu que Bert Hellinger se interessou por estudar mais a respeito do que hoje é conhecido por Constelação.

Esse filme me trouxe algo muito lindo, que foi olhar para minha ancestralidade e respeitar o processo e história de toda a minha linhagem.

Árvore de Sangue

Com proposta semelhante ao Palmeiras na Neve, de olhar para toda nossa linhagem, esse filme trouxe uma frase central em meus aprendizados: “Cada ferida vai cicatrizar, e no mesmo lugar, uma nova pele vai se formar”

O casal Rebeca e Marc começa a escrever a história em comum de ambas as famílias. Intercalando entre os dois, vai crescendo em flashbacks uma trama que a princípio pode parecer confusa, mas que se ajeita com o desenrolar da trama.

Um filme forte e cheio de informações para as quais você precisa estar atento, pois vasculhar a árvore genealógica da própria família requer coragem e ousadia, vontade de se compreender e respeitar quem veio antes, como a lei da ordem reza. Abrir todos esses arquivos físicos e inconscientes abrirão feridas. O filme mostra como fechá-las de forma amorosa, respeitando todo o processo.

Conclusão: você é, assim como cada ser humano, um ser único, incrível. Cada um passa pelo processo de aprendizado de um jeito. Espero e desejo que em cada filme você sinta a sua verdadeira essência, reconheça e integra as Leis Sistêmicas em sua vida. As Constelações Familiares são filosóficas, e aplicá-las requer coragem e vontade, pois sentimentos como culpa e medo surgirão e você precisará ser forte para romper o padrão e seguir.

Espero que goste desse rápido resumo, fiz de tudo para não dar spoiler, mas somente aguçar sua vontade de se jogar no sofá com o mozão, pipoca e cobertas, e mergulhar num processo de autoconhecimento cinematográfico.

Conte depois como foi essa experiência!

Com amor,

Queli

Share This